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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Até o mais valente dos homens chora!

A garotinha ainda acordada tarde da noite olhou para o pai e para mãe com um sorriso puro e lindo estampado no rosto meigo e perguntou: Mamãe você pega leite para mim? Imediatamente, num gesto de querer agradar os dois, voltou seu sorriso suave para o pai e disse: Não! Pai tu pega leite para mim? Por favor... Depois você pega meu cheirinho (uma inseparável toalha branca que tem que estar sempre por perto na hora de dormir) e volta pra juntinho de mim. Fica mamãe de um lado e tu do outro!

O pai há meses sem nenhuma renda, com a família inteira sobrevivendo apenas com a insuficiente, mas abençoada renda do trabalho da esposa, levanta e vai feliz, com o sorriso que recebeu atender ao pedido. A alegria do sorriso acaba completamente ao chegar à cozinha e abrir a geladeira: a caixa de leite continha apenas dois dedos de leite e a carteira completamente vazia bradava que não havia o que fazer naquele momento. De inteiro apenas a total sensação de angústia.

O resto da noite demorou a passar e foi mal dormida, mas a importância da educação recebida dos seus pais e dos seus educadores para vida, no longínquo tempo de infância e de colégio - PÚBLICO SIM SENHOR - ficou muito clara, contrastando com a escuridão daqueles momentos infindáveis. A educação em valores humanos permitia, apesar da gravidade da situação, pensar numa solução digna para resolver um problema que ele sabe ser passageiro. Tudo passa! Isso também vai passar!

O episódio serve para constatar que uma das dores mais profunda que um pai e uma mãe podem sentir é, com certeza, a falta de condições de alimentar dignamente seus filhos. É uma dor doída. Uma dor repetida com uma freqüência bem maior que imaginamos, não apenas nos sofridos países não desenvolvidos, mas bem perto da gente. A poucos metros, ou centímetros de onde estamos. Infelizmente - no fundo para nós mesmos - não temos tempo para dá um pouco do nosso tempo para amenizar tais situações.

Não falo de dar esmolas, me refiro ao antigo e direto ditado popular: Devemos ensinar a pescar, não dar o peixe. Na poesia de Zé Dantas, já cantava Luiz Gonzaga: “Seu doutor uma esmolar para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Procuremos avaliar detidamente qual nossa parcela de responsabilidade em todas as dificuldades e aflições que ocorrem em nossa volta. Talvez fiquemos surpreendidos pelo quão pouco fazemos diante da nossa capacidade de realizar.

2 comentários:

Mário Gomes Filho disse...

Júnior,

Complicada realidade mas é fato costumeiro nas mais diversas familias do nosso país. O que me deixa indignado é a péssima distriuição de renda. Muitas figuras carimbadas, notadamente da classe politica, tratam o povo apenas como uma massa a ser manobrada e que a serventia acaba após o aperto do botão verde, na hora do voto. Esses caras pensam que são Highlander (aquele guerreiro imortal dos filmes) e se esquecem que tudo que produzimos retorna um dia. Enganam, roubam , enricam,aparecem nas sociais, nas policiais, as vezes são presos mas nunca devolvem o que surrupiaram. Acredito que o único caminho para que possamos sair desta tétrica situação é através da educação. Uma frase define o que voce escreveu. Foi dita pelo inesquecível José Americo de Almeida e diz o seguinte; " Há uma miséria maior que morrer de fome no deserto:é não ter o que comer na terra de Canaã" .

Grande abraço meu Irmão. Deus te abençoe nesta sua caminhada pelo bem.

Sim, não sei se voce viu mas o Fernando nos ajudou mais uma vez e fez a divulgação no site do GOB.

Cláudio Jr disse...

Caro Ir.'. Mário.
Vi a publicação do Fernando. Boa!
De fato as vezes muita gente se esquece que a vida nada dá, apenas retorna.
TFA
Jr.'.