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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Não consegui me aproximar, mas quem perdeu foi ela!

Esperava somente um breve olhar que fosse para me aproximar da sua mesa, mas, conversando animadamente com uma amiga, ela simplesmente me ignorava. A investida, que já não era fácil, ficou mais complicada com a chegada de dois concorrentes com a mesma intenção de chegar até ela!

Percebendo que eu não conseguia sucesso na aproximação, eles não perderam tempo e partiram ofensivamente para o ataque: acenos, sorrisos, pigarros - tipo o bichinho da tosse pegou você - e até o velho e surrado psiu apareceu no arsenal de artifícios usados. Nada dava certo!

Naquela altura, já pensando na possibilidade, eu lembrava uma antiga música de Roberto Carlos onde ele, de tanto ser ignorado, dizia que ia terminar ficando nu para chamar a atenção da amada. Música que Andreia Dias também gravou. No entanto, resolvi não radicalizar. Desisti dela partindo imediatamente para outra. Meus concorrentes fizeram o mesmo.

No fim que perdeu foi ela, ou melhor, elas! Elas?

Pensou que estávamos em um barzinho tentando chegar junto de uma moça bonita? Embora qualquer semelhança não seja mera coincidência o cenário era outro!

Estávamos no setor de recepção onde a moça, que deveria receber bem as pessoas que se dirigiam àquela empresa, olimpicamente nos ignorava. Lamentável... Para ela - funcionária - e para a outra ela: a empresa.

São pessoas que dão vida às empresas e passam a ter como sobrenome o próprio nome das instituições em que prestam serviços - às vezes até antecedido pelo cargo que exerce. Dou alguns exemplos: Maurício Prado é Maurício, Coordenador de Projetos da Petrobras, Luis Roberto é Roberto, Gerente Geral da Capitalize, Santana Neto é Neto, Gerente Geral da Casebrás, Milena Mélo é Milena, Redatora da Seguradora Porto Seguro, Cacá Martins é Cacá, Diretor da TV Tambaú... Aposto com você também conhece muita gente dessa forma.

Por ter seus nomes estreitamente associados entre si, as ações das pessoas refletem de forma positiva ou negativa não apenas na imagem e nas finanças das empresas, mas também na sua própria imagem e no seu nível de empregabilidade. Isso tudo na verdade não é exatamente uma novidade, porém ainda existem várias empresas onde determinadas posturas e ações dos seus funcionários nos empurram para os braços, ou instalações, das outras.

Na vida particular, no mundo das relações interpessoais, também não é muito diferente, muda apenas o palco, a história é a mesma. Deixamos de dar às pessoas a atenção que queremos delas. Interrompemos suas falas sem ao menos utilizar, para amenizar a má educação, o triste bordão de Jô Soares: não querendo interromper, mas já interrompendo. Não damos retorno a uma solicitação. Deixamos de atender a alguns convites apenas porque “não estamos a fim de ir” e muitas vezes não damos espaço para suas manifestações. Com tais atitudes, as vezes sem notar, afastamos as pessoas. Mesmo que elas continuem fisicamente perto.

Tão bom para as empresas quanto para nós é perceber isso enquanto ainda é tempo de mudar.

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